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quarta-feira, janeiro 04, 2012

A História de um Anjo - Parte 13

"(...) — Mas vocês não têm sequer um quarto? — José insistiu.
— Para ser honesto, eu tinha. Mas há um minuto uma grande delegação chegou e pegou cada cama que havia sobrado. Eu não tenho lugar para você e para sua esposa.

José tentou ser paciente, mas sua mandíbula estava apertando. Ele se inclinou para a frente para que seu rosto ficasse a um milímetro do rosto do dono da estalagem.

— Vê aquela moça no carro? — ele perguntou por entre os dentes. — Ela é minha esposa. Ela pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Ela praticamente teve o bebê essa tarde em um carro de boi. Ela está com dores agora. Você quer que o bebê nasça aqui na sua porta?
— Não, claro que não, mas não posso ajudá-lo. Por favor, compreenda. Eu não tenho mais nenhum quarto.
— Eu ouvi você, mas é meia-noite e está frio. Você não tem nenhum lugar para que possamos nos manter quentes?

O homem suspirou, olhou para Maria e então para José. Ele entrou na casa e voltou com uma lamparina.

— Por trás da estalagem tem uma trilha que vai levá-los para baixo de um monte. Siga-a até que você chegue a uma estrebaria. Ela está limpa, pelo menos tão limpa quanto estrebarias normalmente são — disse ele encolhendo os ombros. — Você ficará quente lá.

José não podia acreditar naquilo que estava ouvindo.

VOCÊ ESPERA QUE FIQUEMOS NA ESTREBARIA?
— José — chamou Maria.

Ela havia ouvido cada palavra. Ele se virou; ela estava sorrindo. Ele sabia exatamente o que aquele sorriso significava. Sem mais discussões.
Seu suspiro inflou suas bochechas.

— Tudo ficará bem — José consentiu e pegou a lamparina.
— Estranho... — o estalajadeiro murmurou para si mesmo enquanto o casal saía. Virando-se para sua esposa, perguntou: — Quem era mesmo o homem que pegou todos os quartos?

Abrindo o registro, a esposa leu o nome em voz alta.

— Um nome diferente. Sophio. Deve ser um nome grego.

Éramos uma grinalda de luz ao redor da estrebaria, um colar de diamantes ao redor da estrutura. Cada anjo foi chamado de seu posto para a chegada, até Miguel. Ninguém duvidade de que Deus fosse, embora ninguém soubesse como, cumprir sua promessa.

— Já aqueci a água!
— Não há necessidade de gritar, José. Eu lhe ouço bem.

Maria teria ouvindo se José tivesse sussurrado. A estrebaria era ainda menor do que José tinha imaginado, mas o estalajadeiro estava certo — era limpa. Eu comecei a tirar a ovelha e a vaca do caminho, mas Miguel me parou.

O PAI QUER QUE TODA A SUA CRIAÇÃO TESTEMUNHE O MOMENTO.

Maria chorava e agarrava o braço de José com uma das mãos e a forragem com a outra. O impulso em sua barriga levantava suas costas e ela se curvava para a frente.

— Está na hora?

Ela lançou um olhar de voltar; ele tinha a resposta que queria.
Em momentos o Esperado havia nascido. Eu tive o privilégio de estar em uma posição próxima ao casal, apenas um passo atrás de Miguel. Nós dois encaramos a face enrugada do infante. José havia organizado feno e forragem, dando a Jesus sua primeira cama.
Tudo de Deus estava na criança. A luz circundava a sua face e irradiava de suas pequenas mãos. A mesma glória que eu havia testemunhado em Sua sala do trono agora se manifestava através de sua pele.
Eu achei que deveríamos cantar, mas não sabia o quê. Não tínhamos nenhuma canção. Não tínhamos nenhum verso. Nunca tínhamos tido a visão de Deus em um bebê. Quando Deus fez uma estrela, urramos. Quando ele entregou seus servos, nossas línguas voaram em louvor. Diante de Seu trono, nossas canções nunca acabaram. Mas o que se canta para um Deus que está sendo amamentado?
Naquele momento, uma coisa maravilhosa aconteceu. Enquanto olhávamos para o bebê Jesus, a escuridão se ergueu. Não a escuridão da noite, mas uma escuridão do mistério. O esclarecimento celeste tomou conta das legiões.
Nossas mentes se encheram com a Verdade a que nós nunca antes tínhamos tido acesso. (...)"

                          (Max lucado)

CONTINUA...


Ps.: Leiam as partes anteriores para entender ;)

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