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sábado, janeiro 07, 2012

A História de um Anjo - Última parte

"(...) Tornamo-nos conscientes pela primeira vez do plano do Pai de resgatar aqueles que carregam Seu nome. Ele nos revelou tudo o que estava por vir. Uma vez maravilhados e atordoados, os olhos de cada anjo se virava para uma parte da criança: para as mãos que seriam perfuradas.

— Ao martelar dos cravos — Deus nos disse —, vocês não irão salvá-lo. Vocês irão ver, irão ouvir, irão ansiar, mas não irão resgatar.

Paragon e Aegus se viraram para mim, clamando por uma explicação. Eu não tinha nenhuma. Eu existo para servir ao meu Rei e tenho que assitir à sua tortura? Olhei para Miguel; seu rosto estava duro como pedra diante de tanto tormento. Eu reconheci o olhar, pois eu sentia o mesmo. Não conseguíamos processar a ordem.

COMO IREMOS NOS SENTAR EM SILÊNCIO ENQUANTO VOCÊ SOFRE? — perguntamos em uníssono.

Não houve resposta.
Sophio estava murmurando. Aproximei-me para ouvir suas palavras:

— Uma criança foi dada a nós; Deus nos deu um filho. Ele será responsável por liderar o povo. O nome dele será: CONSELHEIRO, MARAVILHOSO, DEUS PODEROSO, PAIS QUE VIVE PARA SEMPRE, PRÍNCIPE DA PAZ. Ele será ferido pelos erros que eles cometeram, esmagado pelo mal que eles fizeram. A punição que lhes faria bem será dada a ele. Eles serão curados por causa de seus ferimentos.

Mais uma vez, ouvi as palavras que eu ouvira pela primeira vez na sala do trono. Só que desta vez eu as compreendi.
Então este é ele. Emanuel. Então este é o presente de Deus. O salvador. Ele virá salvar seu povo dos seus pecados.

— Digna é a ovelha — sussurrei enquanto me ajoelhava diante do meu Deus. Meu coração estava cheio. Eu me virei para Maria enquanto ela balançava o seu filho e falei. Não importava se ela não iria me ouvir. As estrelas me ouviriam. Toda a natureza me ouviria. E mais do que tudo, meu Rei iria me escutar.

— Você sabe quem você segura, Maria? Você segura o autor da graça. Ele, que é eterno agora, tem momentos de idade. Ele, que é ilimitável, agora está mamando. Ele, que anda sobre as estrelas, agora tem pernas fracas demais para andar; as mãos que seguraram oceanos são agora um pequeno punho. Para ele, que nunca fez uma pergunta, você ensinará o nome do vento. A fonte da linguagem irá aprender palavras de você. Ele, que nunca cambaleou, será carregado por você. Ele, que nunca sentiu fome, será alimentado por você. O Rei da criação está em seus braços.
— Que tipo de amor é este? — Miguel sussurrou, e mais uma vez fomos cobertos pelo silêncio. Um lençol de temos. Finalmente, Miguel voltou a abrir os lábios, desta vez para cantar. Ele começou de forma mansa, pausando entre as palavras. — GLÓRIA, GLÓRIA, GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS.

Um a um nos juntamos a ele.

GLÓRIA, GLÓRIA, GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS.

Gradualmente o coro cresceu mais forte e com mais velocidade.

— Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, glória a Deus nas alturas.

Nosso louvor se elevou nos domínios do universo. Na galáxia mais distante a poeira na mais mais antiga das estrelas dançou com nosso louvor. Nas profundezas do oceano, a água ondulou em adoração. O menor dos micróbios se virou, a mais imponente da constelação rodopiou, toda a natureza se juntou a nós enquanto adorávamos.

EMANUEL, O DEUS QUE SE TORNOU CARNE."


                            FIM. 


Palavras do autor:
"O Natal é cheio de pensamentos reconfortantes: Um Jesus adormecido, pastores de olhos aberto, uma Maria de semblante calmo. O espírito natalino é caloroso, a emoção é a alegria, e a sensação é de paz. Esta é a imagem das palavras de Mateus e Lucas. No apocalipse, no entanto, ele nos oferece outra perspectiva, o nascimento de Jesus incita mais do que encantamento; ele incita o mal. Abrindo as cortinas dos céus, ele revela uma guerra sangrenta. (...) (Apocalipse 12:7) (...) Partes deste livro são ficção, fruto de minha imaginação. Outras partes da história, no entanto, são verdadeiras. Se você gosta ou não de ficção é irrelevante. Mas gostar ou não de conhecer a verdade é essencial. (...)"
                              (Max lucado)


Leiam as 13 partes anteriores para entender a história melhor. 
Esse é um de meus livros preferidos. Gosto sim da ficção, mas não é por isso. Acho que o Max nos faz imaginar além do que a gente já sabe. Ele nos faz ver que realmente pode ter acontecido muito mais. Afinal a palavra de Deus diz em efésios 6:12 que "nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mas nas regiões celestiais." Espero que tenham gostado, e um Feliz Natal e Prospero Ano Novo atrasados, rs. Beijos :*

quarta-feira, janeiro 04, 2012

A História de um Anjo - Parte 13

"(...) — Mas vocês não têm sequer um quarto? — José insistiu.
— Para ser honesto, eu tinha. Mas há um minuto uma grande delegação chegou e pegou cada cama que havia sobrado. Eu não tenho lugar para você e para sua esposa.

José tentou ser paciente, mas sua mandíbula estava apertando. Ele se inclinou para a frente para que seu rosto ficasse a um milímetro do rosto do dono da estalagem.

— Vê aquela moça no carro? — ele perguntou por entre os dentes. — Ela é minha esposa. Ela pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Ela praticamente teve o bebê essa tarde em um carro de boi. Ela está com dores agora. Você quer que o bebê nasça aqui na sua porta?
— Não, claro que não, mas não posso ajudá-lo. Por favor, compreenda. Eu não tenho mais nenhum quarto.
— Eu ouvi você, mas é meia-noite e está frio. Você não tem nenhum lugar para que possamos nos manter quentes?

O homem suspirou, olhou para Maria e então para José. Ele entrou na casa e voltou com uma lamparina.

— Por trás da estalagem tem uma trilha que vai levá-los para baixo de um monte. Siga-a até que você chegue a uma estrebaria. Ela está limpa, pelo menos tão limpa quanto estrebarias normalmente são — disse ele encolhendo os ombros. — Você ficará quente lá.

José não podia acreditar naquilo que estava ouvindo.

VOCÊ ESPERA QUE FIQUEMOS NA ESTREBARIA?
— José — chamou Maria.

Ela havia ouvido cada palavra. Ele se virou; ela estava sorrindo. Ele sabia exatamente o que aquele sorriso significava. Sem mais discussões.
Seu suspiro inflou suas bochechas.

— Tudo ficará bem — José consentiu e pegou a lamparina.
— Estranho... — o estalajadeiro murmurou para si mesmo enquanto o casal saía. Virando-se para sua esposa, perguntou: — Quem era mesmo o homem que pegou todos os quartos?

Abrindo o registro, a esposa leu o nome em voz alta.

— Um nome diferente. Sophio. Deve ser um nome grego.

Éramos uma grinalda de luz ao redor da estrebaria, um colar de diamantes ao redor da estrutura. Cada anjo foi chamado de seu posto para a chegada, até Miguel. Ninguém duvidade de que Deus fosse, embora ninguém soubesse como, cumprir sua promessa.

— Já aqueci a água!
— Não há necessidade de gritar, José. Eu lhe ouço bem.

Maria teria ouvindo se José tivesse sussurrado. A estrebaria era ainda menor do que José tinha imaginado, mas o estalajadeiro estava certo — era limpa. Eu comecei a tirar a ovelha e a vaca do caminho, mas Miguel me parou.

O PAI QUER QUE TODA A SUA CRIAÇÃO TESTEMUNHE O MOMENTO.

Maria chorava e agarrava o braço de José com uma das mãos e a forragem com a outra. O impulso em sua barriga levantava suas costas e ela se curvava para a frente.

— Está na hora?

Ela lançou um olhar de voltar; ele tinha a resposta que queria.
Em momentos o Esperado havia nascido. Eu tive o privilégio de estar em uma posição próxima ao casal, apenas um passo atrás de Miguel. Nós dois encaramos a face enrugada do infante. José havia organizado feno e forragem, dando a Jesus sua primeira cama.
Tudo de Deus estava na criança. A luz circundava a sua face e irradiava de suas pequenas mãos. A mesma glória que eu havia testemunhado em Sua sala do trono agora se manifestava através de sua pele.
Eu achei que deveríamos cantar, mas não sabia o quê. Não tínhamos nenhuma canção. Não tínhamos nenhum verso. Nunca tínhamos tido a visão de Deus em um bebê. Quando Deus fez uma estrela, urramos. Quando ele entregou seus servos, nossas línguas voaram em louvor. Diante de Seu trono, nossas canções nunca acabaram. Mas o que se canta para um Deus que está sendo amamentado?
Naquele momento, uma coisa maravilhosa aconteceu. Enquanto olhávamos para o bebê Jesus, a escuridão se ergueu. Não a escuridão da noite, mas uma escuridão do mistério. O esclarecimento celeste tomou conta das legiões.
Nossas mentes se encheram com a Verdade a que nós nunca antes tínhamos tido acesso. (...)"

                          (Max lucado)

CONTINUA...


Ps.: Leiam as partes anteriores para entender ;)

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