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sexta-feira, dezembro 23, 2011

A História de um Anjo - Parte 8

"(...) — Vejo que viajaram em segurança.

Era a voz que eu temia. Instantaneamente ele estava diante de nós. Não tínhamos outra opção a não ser parar.

— Você está vestindo seu antigo uniforme, Lúcifer. — acusei.

Os verdadeiros anjos estavam arrebatados pela sua aparência. E eu também. Era este o mesmo demônio que havia me causado repulsa na sala do trono?
Seu sussurro agora era um vibrante barítono. A figura esquelética agora era robusta e majestosa. Ao lado de sua luz, nossa brancura era cinzenta e suja. Perto de sua voz, nossas vozes não eram nada além de um sussurro. Levantamos nossas espadas, mas elas oscilavam sem força como velas contra o sol.

Meus batalhões olharam para o demônio com perplexidade. Antes de sermos enviados, Miguel havia tentado avisá-los, mas nenhuma palavra prepara você pra Lúcifer. Sem falar uma palavra, ele encanta. Sem levantar uma arma, ele desarma. Sem um toque, ele seduz. Anjos foram conhecidos por segui-lo sem oferecer resistência.
Mas eu tinha as palavras do Pai em meu coração. "Ele foi um mentiroso desde o início."
O demônio olhava para mim com um doce sorriso.

— Gabriel, Gabriel. Quantas vezes eu já falei seu nome? Meus servos podem lhe dizer. Segui você por todos esses anos. Você é um anjo bem leal. E agora sua lealdade está sendo recompensada. A missão das missões.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou; não uma gargalhada demoníaca, mas uma gargalhada divina. Como ele imita bem o Rei!

— Não é uma imitação — ele disse como se pudesse ler minha mente. — É genuíno. Alegro-me que você tenha passado no nosso teste.

Meu rosto traiu minha perplexidade.

— Ele não lhe informou, meu amigo? Como seu Pai do céu é sábio. Como Ele foi gracioso em me conceder esse privilégio de lhe dizer. Este foi um teste de sua lealdade. Sua missão inteira foi um teste. O Dia dos Pesares. A Rebelião celestial. A queda dos anjos. Minha visita à sala do trono. A rede. Phlumar. Tudo isso foi para lhe testar, para treinar você. E agora, ó Gabriel, o Rei e eu o parabenizamos. Você se provou leal.

Eu achava que sabia cada esquema de Lúcifer. Cada crime, cada mentira. Achei que tivesse antecipado cada movimento. Eu estava errado. Este eu nunca imaginaria... Ah, como ele é dissimulado. Ele soava tão sincero.


VOCÊ HONESTAMENTE ACHA QUE EU ME REBELARIA CONTRA DEUS? — ele confessou. — O PAI DA VERDADE? POR QUÊ? EU O AMO.

Sua grandiosa voz engasgou de emoção.

— Ele me criou. Ele me deu liberdade de escolha. E todo esse tempo eu o venerei de longe para que você fosse testado. E agora, meu amigo, você passou no teste do Pai. Por que mais ele teria permitido que você testemunhasse minha visita ao céu? Foi tudo um evento encenado: a grande obra de Deus para testar a sua dedicação.

As palavras dele doíam em meu peito. Minha espada caiu para um lado e meu escudo para o outro. Meus pensamentos rodavam. O que é isto que sinto? Que poder é este? Eu sei que ele é mau, ainda sim eu me vejo fraquejar. Eu a um só tempo que amá-lo e matá-lo, confiar nele e o negar. Virei-me para olhar para Aegus e Paragon. Eles também haviam largado suas armas, seus rostos amoleciam enquanto eles começavam a acreditar nas palavras que o impostor falava. Atrás deles, nossos exércitos estavam relaxando. Uma a uma as espadas iam sendo ofuscadas. Incrível. Com apenas algumas palavras Lúcifer podia subordinar legiões. Isto é realmente verdade? Ele parece e soa tão verdadeiro quanto o Pai... Todos nós estávamos começando a cair em seu controle.
Todo, exceto um. Ao longe avistei Sophio. Seus olhos não estavam em Lúcifer. Ele olhava para o céu. Eu podia ouvir a sua declaração, aumentando de volume a cada frase:

NEM A MORTE, NEM A VIDA; NEM ANJOS, NEM DEMÔNIOS, NEM O PRESENTE, NEM O PASSADO; NEM QUAISQUER PODERES, NEM O ALTO, NEM AS PROFUNDEZAS, NEM QUALQUER OUTRA COISA EM TODA A CRIAÇÃO SERÁ CAPAZ DE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS! (...)"

                                               (Max Lucado)


CONTINUA...

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