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sexta-feira, dezembro 09, 2011

A História de um Anjo - Parte 3

"(...) Satã levantou-se vagarosamente. Como um lobo cauteloso, percorreu um amplo círculo em direção à mesa até ficar em frente ao volume e leu a palavra:

– Emanuel? – ele murmurou para si mesmo; e então falou em tom de descrença: – Deus conosco? – Pela primeira vez a cabeça encapuzada se virou diretamente para encarar o rosto do Senhor. – Não. Nem mesmo você faria isto. Nem mesmo você iria tão longe.
– Você nunca acreditou em mim, Satã.
– Mas Emanuel? O plano é bizarro! Você não sabe como são as coisas na Terra! Você não sabe quão sombria eu a fiz. É pútrida. É diabólica. É...

É MINHA – proclamou o Rei. – E EU IREI REIVINDICAR O QUE É MEU. EU IREI ME TORNAR CARNE. IREI SENTIR O QUE MEUS FILHOS SENTEM. IREI VER O QUE ELES VÊEM.

– E seus pecados?
– Irei levar misericórdia.
– E suas mortes?
– Irei dar a vida.

Satã ficou em pé, sem palavras.
Deus disse:

– Eu amo meus filhos. O amor não tira dos amados a liberdade. O amor remove qualquer medo. E Emanuel irá deixar para trás uma horda de filhos destemidos. Eles não temerão você nem o seu inferno.


Satã deu um passo para trás ao ouvi-lo. Sua resposta foi infantil.


– E-e-e-eles irão sim!
– Eu irei tirar deles todo o pecado. Eu irei tirar a morte. Sem pecado e sem morte, você não tem poder.

Satã andava em círculos, cerrando e abrindo seus dedos magros. Quando finalmente parou, fez uma pergunta (que até a mim intrigava):

– Por quê? Por que você faria isto?

Os dois se encaravam. Ninguém falou. Os extremos do universo estavam diante de mim: Deus vestido de luz; cada fibra brilhava. Satã coberto com um dossel de maldade; até o tecido de seu manto parecia rastejar. A paz em contraste com o pânico. A sabedoria confrontando a ignorância. Um capaz de resgatar; o outro, ansioso por condenar.
Eu tenho refletido muito sobre o que aconteceu em seguida. Apesar de ter relembrado o momento milhares de vezes, fico tão atordoado quanto fiquei naquele instante. Nunca em meus pensamentos mais irrestritos eu imaginei que o Rei faria o que fez. Se ele tivesse ordenado a saída de Satã, quem o teria questionado? Se ele tivesse tirado a vida de Satã, quem teria chorado? Se ele tivesse me chamado ao ataque, eu estaria disposto. Mas Deus não fez nada disso.
Do cículo de luz veio a sua mão estendida. De seu trono veio um convite honesto:

– Você se entregaria? Voltaria para mim?

Não sei o que Satã pensou. Mas acredito que por um milésimo de segundo o coração maldoso tenha amolecido. A cabeça se levantou levemente como se estivesse pasmo diante da oferta feita. Mas então se levantou bruscamente.

– Onde lutaremos? – ele desafiou.

O Pai suspirou diante da resistência do anjo negro.

– Em um monte chamado Calvário.
– Se você for tão longe – disse Satã, sorrindo de forma maliciosa, rodopiando e marchando em direção à entrada. Eu pude ver quando as suas asas cobertas de espirnhos se abriram e ele voou para os céus.


O Pai se manteve imóvel por um momento, então se virou novamente para o livro. Abrindo-o no capítulo final, vagarosamente leu as palavras que eu nunca havia lido. Não havia frases. Apenas palavras. Deus pronunciou cada uma delas, fazendo pausas:




JESUS,
CRAVOS,
CRUZ,
SANGUE,
TUMBA,
VIDA.


Ele se moveu em minha direção e eu respondi me ajoelhando em frente a ele novamente. Entregando-me o colar, ele explicou:


–Este frasco irá conter a minha essência; uma semente a ser colocada no útero de uma jovem garota. Seu nome é Maria. Ela vive entra as pessoas que escolhi. O fruto da semente é o Filho de Deus. Leve a ela.
– Mas como eu poderei reconhecê-la? – perguntei.
– Não se preocupe. Você poderá.

Eu não conseguia compreender o plano de Deus, mas minha compreensão não era essencial. Minha obediência o era. Eu abaixei a minha cabeça, e ele colocou a corrente no meu pescoço. Surpreendentemente, o frasco não estava mais vazio. Ele brilhava com luz.

– Jesus. Diga-lhe para chamar o meu filho de Jesus. (...)"

                            (Max Lucado)

CONTINUA...

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