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quinta-feira, dezembro 29, 2011

A História de um Anjo - Parte 11

"(...) José levou sua mula para o lado da estrada e passou a sua mão pela testa.

— Vamos achar um lugar para passar a noite. Anoitecerá antes que cheguemos a Belém.

Maria não respondeu. José andou para o outro lado do animal e olhou para o rosto de sua esposa. Ela estava dormindo! Com o queixo encostado no peito, as mãos sobre a barriga. Como ela conseguiu dormir enquanto andava no lombo de uma mula?
De repente sua cabeça se levantou e seus olhos se abriram.

— Já chegamos?
— Não — o marido sorria. — Ainda temos muitas horas pela frente. Eu vejo uma estalagem aberta logo adiante. Devemos passar a noite ali?
— Ah, José. Sinto que devemos continuar até chegarmos a Belém — disse fez uma pausa. — Talvez possamos parar para um descanso.

Ele suspirou, sorriu, apertou as mãos dela, e retomou seu lugar, levando a mula em direção à simples construção ao lado da estrada.

— Está lotado — disse José enquanto desmontava Maria.

Levou um bom tempo para que José achasse um banco onde eles pudessem se sentar.

— Voltarei em um instante com algo para comer, espere aqui.

José acotovelou seu caminho por entre a multidão. Ele se virou a tempo de ver que uma mulher havia pegado seu lugar vazio ao lado de Maria. Maria começou a negar, mas então ela sorriu, olhou através da multidão para José, e encolheu os ombros.
Nem sequer um osso é indelicado no corpo dela, refletiu José.
De todos os eventos bizarros que aconteceram nos últimos meses, ele tinha certeza de uma coisa: o coração de sua esposa. Ele nunca conhecera alguém como ela. E a história que ela contara sobre um anjo ter aparecido no meio da tarde? Podia ser alguma criança pregando uma peça. A lembrança dele de um anjo aparecendo em seus sonhos? Poderia ter sido de Deus... Poderia ter sido por conta do vinho. A história de que o tio dele ficaria mudo até que o primo nascesse? Podia ter sido laringite.
Mas a história de ser uma grávida virgem? Maria não mente. Ela é tão pura quanto um anjo. Então se Maria diz que ela é virgem, ela é. Se ela diz que o bebê é o Filho de Deus, vamos esperar que ele puxe o nariz do lado paterno da família.
Maria — rosto redondo e curto — não era uma beleza nem de longe. Um pouco robusta mesmo antes de engravidar. Mas os olhos dela sempre brilhavam, e o coração dela era maior que o Mediterrâneo. Maria tinha um sorriso sempre presente e o semblante de uma pessoa que está prestes a entregar o ponto alto de uma boa piada. Isso é o que fazia de Maria, Maria. José balançou a cabeça enquanto Maria se esforçava para se levantar para que o marido da moça pudesse sentar.
O homem começou a negar, mas ela acenou para que ele se sentasse.

— Preciso me levantar por um minuto.

Ela fez sinal para José enquanto andava em sua direção. Ou melhor, enquanto bamboleava em sua direção. Ambos esperavam que o bebê nascesse em Nazaré; pelo menos eles tinham família por lá. Eles não conheciam ninguém ali em Belém.
José colocou o braço dela no dele e os dois se encostaram a uma parede.

— Tem certeza de que quer ir adiante?

Ela acenou que sim, e depois de alguns "com licença" e "me desculpem", os dois rumaram em direção à porta.

— Mais um gole de água? — Maria perguntou, serena.
— Claro. Espere aqui fora.

Maria se encostou em uma árvore enquanto José aguardava na fila do poço. Ela riu da forma rápida com que ele engatou uma conversa com o homem que estava na frente dele. Quando ele voltou trazendo água, o homem veio com ele.

— Maria, este é Simão. Ele também está indo para Belém e nos ofereceu um lugar para sentar em seu carro de bois.
— Isto é muito simpático de sua parte.

Simão sorriu.

— Vou gostar da companhia. Apenas amarre a mula na parte de trás.
— Com licença. Eu ouvi vocês dizerem Belém. Vocês teriam espaço para mais um?

O pedido veio de um homem velho com uma barba branca longa e franjas de rabino. Simão rapidamente concordou.
Depois de ajudar Maria a subir no carro, José se virou para ajudar o rabino.

— Qual o seu nome?
— Gabriel — respondi, e peguei um lugar em frente a Maria. (...)"

                  (Max Lucado)

CONTINUA...
Leiam as partes anteriores para entenderem ;)

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