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quarta-feira, dezembro 07, 2011

A História de um Anjo - Parte 1

"Gabriel.
O som da voz do meu Rei foi suficiente para impulsionar meu coração. Larguei meu posto na entrada e me dirigi à sala do trono. À minha esquerda estava a mesa onde ficava o Livro da Vida. À minha frente estava o trono de Deus Todo-poderoso. Entrei no círculo da luz incessante, cruzei minhas asas na minha frente para cobrir meu rosto e me ajoelhei diante dEle.

– Sim, meu Senhor?
– Você tem servido bem ao Reino. Você é um nobre mensageiro. Nunca vacilou em serviço. Nunca lhe faltou prudência.

Curvei minha cabeça, me aquecendo naquelas palavras.

– Tudo o que o Senhor pedir, eu farei por mil vezes, meu Rei – prometi.
–Disto não tenho dúvidas, caro mensageiro – Sua voz simulou uma solenidade que eu nunca havia ouvido usar. – Mas seu maior trabalho espera diante de você. Sua próxima designação é levar um presente à Terra. Observe.

Levantei meus olhos para ver um colar – um frasco transparente em uma corrente de ouro – oscilando em sua mão estendida.
Meu Pai falou com determinação:

– Apesar de vazio, este frasco em breve irá conter meu maior presente. Coloque-o em seu pescoço.

Estava prestes a pegá-lo quando uma voz irritante me interrompeu.

– E que tesouro você irá enviar à Terra desta vez?

Minhas costas se tensionaram àquele tom insolente, e meu estômago embrulhou diante do odor súbito. Tal odor pútrido só poderia vir de um único ser.

Empunhei minha espada e me virei para lutar com Lúcifer.

A mão do Pai em meu ombro me parou.

– Não se preocupe, Gabriel. Ele não fará mal algum.

Dei um passo para trás e encarei o inimigo de Deus. Ele estava completamente coberto. Uma batina negra pendia sobre sua carcaça esquelética, escondendo seu corpo e seus braços encapuzando seu rosto. Os pés, protuberantes abaixo do manto, tinha três dedos e garras. A pele de suas mãos se assemelhava à de uma cobra. Garras de estendiam de seus dedos. Ele puxou o capuz de forma a esconder mais o seu rosto, tentando assim proteger-se da luz, mas a claridade ainda o feria. Em busca de alívio, ele se virou para mim e eu captei o vislumbre de uma face cadavérica escondida no capelo.

– O que você está olhando, Gabriel? – ele zombou. – Está feliz por me ver?

Eu não tinha palavras para aquele anjo caído. O que eu via e tudo do que me lembrava me deixava sem palavras. Eu me lembrava dele antes da Rebelião: pairando orgulhosamente na liderança de nossa força, asas largas, apontando para frente uma espada radiante, ele havia nos inspirado a fazer o mesmo. Quem poderia se opor a ele? A visão de seu cabelo aveludado negro como o carvão ultrapassava de longe a beleza de qualquer ser celestial.
Exceto, é claro, à beleza do nosso Criador. Ninguém comparou Lúcifer a Deus... Exceto Lúcifer. Só Deus sabe como foi que aquele anjo caído chegou a pensar que era digno da mesma adoração devotada a Deus. Tudo o que eu sabia é que eu não via Satã desde a Rebelião. E o que via agora me causava repulsa."

                   (Max Lucado)

Continua...

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