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segunda-feira, dezembro 19, 2011

A História de um Anjo - Parte 6

"(...) Antes da Rebelião ele era o solista em nossas canções e o mais nobre dos guerreiros. Ele, por muitas vezes, voava à nossa frente, suspenso em um bater de asas gracioso. Muitas das canções que hoje canto, eu ouvi pela primeira vez pelos lábios de Phlumar. "Agora olhe para ele", pensei.
O que aconteceu aos olhos prateados e ao manto branco? O que conteve sua alegria? Quando me aproximei, o odor repugnante do mal me estremeceu. Preparei minha espada esperando um ataque. O que eu não esperava era uma pergunta.


– Meu amigo, há quanto tempo não nos vemos? – A voz era tão calorosa quanto um arquidemônio pode simular.
– Não o suficiente, filho do inferno – gritei para ele enquanto passava. Eu não confiei o suficiente para parar. Eu não confiei em minhas emoções ou na minha força. Continuei voando em frente, mas imediatamente ele estava ao meu lado.
– Gabriel, você tem que me escutar.
– Seu príncipe é um mentiroso, é o pai de todas as mentiras.
– Mas meu príncipe mudou – Phlumar argumentou.


Eu não diminuí o ritmo. Pelo canto do olho vi Aegos e Paragon voando com os olhos bem abertos e com as mãos em suas espadas, esperando um comando meu. Orei para que não vissem a preocupação em meus olhos. Se Phlumar reunisse um décimo de sua força, ele destruiria todo o batalhão antes mesmo que eu pudesse responder. Ele havia sido o mais brilhante em nossa classe.
Phlumar continuou:

– Um milagre aconteceu desde que você saiu em sua missão. Meu mestre testemunhou vocês derrotarem nossas forças. Ele está perturbado pela sua força e pela fraqueza dele. Ele está igualmente perplexo pela oferta de perdão que ele ouviu na sala do trono. Ele diz que você estava lá, Gabriel. Você viu isso?


Apesar de não ter respondido, a imagem da mão estendida de Deus veio à minha mente. Eu pensei na cabeça inclinada e lembrei-me das minhas primeiras impressões. Poderia ser verdade que o coração de Satã tivesse realmente amolecido?
A emoção acompanhou o argumento de Phlumar.

– Venha, Gabriel. Fale com o príncipe Lúcifer. Argumente com ele em favor do Pai. Fale sobre o amor de seu Mestre. Ele irá ouvi-lo. Vamos juntos para incitá-lo a se arrepender.

Phlumar acelerou, ficou diante de mim e parou, me forçando a fazer o mesmo. Perto de mim ele era imenso. Eu pensei que estava preparado para qualquer coisa, mas isso eu jamais esperara. Eu orava por direção.


– Juntos, Gabriel, eu e você juntos novamente – o dragão continuou. – Pode acontecer. Nós podemos nos unir. O coração de Satã está maduro, o meu já está mudado.

De repente a resposta veio. Novamente, eu sabia o que fazer. Silenciosamente agradeci a Deus pela sua orientação.


– Seu coração mudou, não é, Phlumar?

Com sua enorme cabeça ele fez que sim. Eu me virei para Paragon e para Aegus. O medo em suas faces estava cedendo lugar à curiosidade.

– Você deseja se juntar à nossa ordem, não deseja?
– Sim, Gabriel. Eu quero. A Rebelião foi um erro. Venha comigo. Nós iremos persuadir Lúcifer. Eu desejo voltar aos céus. Eu desejo conhecer meu esplendor passado. 


A esta altura meu plano estava claro.



– Que novidade excelente, Phlumar!


Eu senti a surpresa no rosto de meus anjos.



– Nosso Deus é um bom Deus – anunciei. – Não tem raiva e é misericordioso. Com certeza ele ouviu sua confissão. –Eu pausei e me elevei para mais perto de seu rosto, olhando nos seus olhos. – Vamos então elevar nossas vozes juntas em louvor. (...)"


                       (Max Lucado)





CONTINUA...

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