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sexta-feira, dezembro 30, 2011

A História de um Anjo - Parte 12

"(...) Aegus pairava em frente ao carro, e Paragon, atrás dele. Ambos estavam atentos, asas abertas e espadas desembainhadas. Até a parada na pousada eu havia voado com eles. Mas algo parecia suspeito nesse carro de boi, então tomei a forma de uma pessoa. Rapidamente eu me arrependi de não ter escolhido a forma de um jovem mercador (a barba que eu usava coçava horrivelmente).
Meu batalhão não precisava que eu os lembrasse, mas eu o fiz mesmo assim:

O INFERNO NÃO QUER QUE EMANUEL NASÇA. FIQUEM ATENTOS.

Anjos invisíveis rodeavam o carro. Eu sorria para mim mesmo. Simão poderia ter guiado de olhos vendados. Não havia forma de esse carro ter falhado em chegar ao seu destino.
A estrada congestionada atrasava nosso progresso. Nós não viajávamos com mais velocidade do que as pessoas que estavam a pé à nossa volta, mas pelo menos Maria poderia descansar. Ela fechou os olhos e encostou a cabeça na lateral do carro. Eu podia ver o resplendor de seu útero que brilhava como um fogo curativo. Eu o adorava mesmo antes de nascer. Meu coração celebrava canções silenciosas de louvor que ele podia ouvir. Eu sorri quando Maria o sentiu mexer. Ao meu redor o exército ouvia minha canção e se juntava em louvor. 
Cerca de uma hora mais tarde eu senti. O mal. Meu corpo inteiro ficou tenso. A sensação da maldade estava na estrada, espreitando entre os viajantes. Eu alertei os anjos. "Estejam pronto." Sophio entrou no carro e sussurrou: "Ele ronda como um leão, procurando por alguém para devorar." Eu acenei concordando e procurei o rosto daqueles que estavam andando próximos ao carro.
Um homem se aproximou do carro. Ele perguntou a Maria:

— Você parece cansada. Gostaria de beber água?

Maria disse:

— Obrigada — enquanto pegava o odre que lhe foi oferecido.

Eu fiquei de pé em um salto, propositalmente batendo no braço do demônio. O odre caiu no chão enquanto Maria e José ouviam meus pedidos de desculpas. Apenas o homem me ouviu quando o desafiei:

BESTA DO INFERNO, VOCÊ NÃO DEVE TOCAR ESTA FILHA DE DEUS.

O demônio saiu do corpo do homem e puxou uma espada.

— Você não tem chance desta vez, Gabriel — ele gritou, e, de repente, dúzias de demônios apareceram de todos os lados e correram na direção de Maria.

— José — ela falou com o rosto cheio de dor enquanto segurava sua barriga na altura do útero. — Algo está errado. É, é como se algo estivesse espancando minha barriga. Eu estou com dores terríveis.

Instantaneamente eu me apropriei de minha forma angelical e me coloquei ao redor dela como um escudo. As espadas dos demônios me perfuravam. Eu senti seus ferrões — mas ela estava a salvo. Só então Paragon e sete anjos apareceram, cortando as costas dos demônios. As criaturas do mal foram distraídas, mas seguiam determinadas. 
O carro começou a balanças. O pânico tomava os viajantes. Ouvi um grito. Olhei para cima a tempo de ver Simão apertar a garganta. Seu rosto estava vermelho, e seus olhos esbugalhados. Ao redor de seu pescoço eu podia ver os dedos espinhosos de um trol. Outro demônio enfeitiçou o boi, fazendo com que ele desse uma guinada em direção ao cato da estrada.
Alguém gritou:

PARE O CARRO, HÁ UM DESPENHADEIRO ALI ADIANTE.

Um homem corajoso tentou segurar as rédeas, mas ele não conseguia movê-las. Mais tarde ele diria às pessoas que estava congelado de medo. Eu sabia mais: um demônio havia paralisado o homem na estrada.
Simão lutava para respirar e caía de um lado para o outro no assento. Eu sabia que ele estava morto. O animal possuído desviou-se loucamente em direção ao despenhadeiro. Eu olhei para Maria. O braço de José estava sobre sua barriga arredondada. Eu sabia que em segundos nós iríamos colidir no fundo do vale, lá embaixo. O carroceiro estava morto; o carro, fora de controle. Eu me virei e orei para o único que poderia ajudar. 
De dentro do útero, ele falou. Os pais dele não ouviram. A palavra não era para os ouvidos de Maria e José. Apenas os hospedeiros do céu e do inferno poderiam ouvir a palavra. E, quando o fizeram, todos pararam. 

VIDA!

A ordem inundou o carro tão completamente quanto teria inundado o Éden. Os demônios começaram a rastejar feito ratos.

VIDA!

A ordem veio pela segunda vez. Simão tossiu, e o ar preencheu seus pulmões.

— As rédeas! — gritei.

Ele respirou com dificuldade, agarrou as rédeas e se colocou firme. Com os olhos cheios de lágrimas ele viu o final da estrada e instintivamente puxou o animal para trás até que ele parasse. Estávamos salvos.
Mas, mesmo com os demônios longe, não contei com a sorte. Minha ordem para Sophio era urgente.

— Eles a acharam na estrada. Irão achar o quarto dela na estalagem. Faça o que tem que ser feito. 

Sophio me cumprimentou e alçou vôo, se antecipando para a estalagem em Belém.
Maria permaneceu abraçada pela minha luz. José olhava para ela alarmado; ela relaxou sob meus cuidados.

— Estou melhor agora — ela disse. — O que aconteceu ao rabino? (...)"

                              (Max Lucado)

CONTINUA...

quinta-feira, dezembro 29, 2011

A História de um Anjo - Parte 11

"(...) José levou sua mula para o lado da estrada e passou a sua mão pela testa.

— Vamos achar um lugar para passar a noite. Anoitecerá antes que cheguemos a Belém.

Maria não respondeu. José andou para o outro lado do animal e olhou para o rosto de sua esposa. Ela estava dormindo! Com o queixo encostado no peito, as mãos sobre a barriga. Como ela conseguiu dormir enquanto andava no lombo de uma mula?
De repente sua cabeça se levantou e seus olhos se abriram.

— Já chegamos?
— Não — o marido sorria. — Ainda temos muitas horas pela frente. Eu vejo uma estalagem aberta logo adiante. Devemos passar a noite ali?
— Ah, José. Sinto que devemos continuar até chegarmos a Belém — disse fez uma pausa. — Talvez possamos parar para um descanso.

Ele suspirou, sorriu, apertou as mãos dela, e retomou seu lugar, levando a mula em direção à simples construção ao lado da estrada.

— Está lotado — disse José enquanto desmontava Maria.

Levou um bom tempo para que José achasse um banco onde eles pudessem se sentar.

— Voltarei em um instante com algo para comer, espere aqui.

José acotovelou seu caminho por entre a multidão. Ele se virou a tempo de ver que uma mulher havia pegado seu lugar vazio ao lado de Maria. Maria começou a negar, mas então ela sorriu, olhou através da multidão para José, e encolheu os ombros.
Nem sequer um osso é indelicado no corpo dela, refletiu José.
De todos os eventos bizarros que aconteceram nos últimos meses, ele tinha certeza de uma coisa: o coração de sua esposa. Ele nunca conhecera alguém como ela. E a história que ela contara sobre um anjo ter aparecido no meio da tarde? Podia ser alguma criança pregando uma peça. A lembrança dele de um anjo aparecendo em seus sonhos? Poderia ter sido de Deus... Poderia ter sido por conta do vinho. A história de que o tio dele ficaria mudo até que o primo nascesse? Podia ter sido laringite.
Mas a história de ser uma grávida virgem? Maria não mente. Ela é tão pura quanto um anjo. Então se Maria diz que ela é virgem, ela é. Se ela diz que o bebê é o Filho de Deus, vamos esperar que ele puxe o nariz do lado paterno da família.
Maria — rosto redondo e curto — não era uma beleza nem de longe. Um pouco robusta mesmo antes de engravidar. Mas os olhos dela sempre brilhavam, e o coração dela era maior que o Mediterrâneo. Maria tinha um sorriso sempre presente e o semblante de uma pessoa que está prestes a entregar o ponto alto de uma boa piada. Isso é o que fazia de Maria, Maria. José balançou a cabeça enquanto Maria se esforçava para se levantar para que o marido da moça pudesse sentar.
O homem começou a negar, mas ela acenou para que ele se sentasse.

— Preciso me levantar por um minuto.

Ela fez sinal para José enquanto andava em sua direção. Ou melhor, enquanto bamboleava em sua direção. Ambos esperavam que o bebê nascesse em Nazaré; pelo menos eles tinham família por lá. Eles não conheciam ninguém ali em Belém.
José colocou o braço dela no dele e os dois se encostaram a uma parede.

— Tem certeza de que quer ir adiante?

Ela acenou que sim, e depois de alguns "com licença" e "me desculpem", os dois rumaram em direção à porta.

— Mais um gole de água? — Maria perguntou, serena.
— Claro. Espere aqui fora.

Maria se encostou em uma árvore enquanto José aguardava na fila do poço. Ela riu da forma rápida com que ele engatou uma conversa com o homem que estava na frente dele. Quando ele voltou trazendo água, o homem veio com ele.

— Maria, este é Simão. Ele também está indo para Belém e nos ofereceu um lugar para sentar em seu carro de bois.
— Isto é muito simpático de sua parte.

Simão sorriu.

— Vou gostar da companhia. Apenas amarre a mula na parte de trás.
— Com licença. Eu ouvi vocês dizerem Belém. Vocês teriam espaço para mais um?

O pedido veio de um homem velho com uma barba branca longa e franjas de rabino. Simão rapidamente concordou.
Depois de ajudar Maria a subir no carro, José se virou para ajudar o rabino.

— Qual o seu nome?
— Gabriel — respondi, e peguei um lugar em frente a Maria. (...)"

                  (Max Lucado)

CONTINUA...
Leiam as partes anteriores para entenderem ;)

quarta-feira, dezembro 28, 2011

A História de um Anjo - Parte 10

"(...) Em uma onda de adoração, eu voei; desta vez estava só.Eu circulei pelas nuvens e acima do solo. Abaixo de mim estava a cidade onde Maria nasceu. O Pai estava certo; eu a reconheci em um instante. Seu coração não tinha sombras. Sua alma era tão pura quanto qualquer outra que eu tenha visto.
Eu fiz a descida final.

— Maria.

Mantive minha voz em um tom baixo para não assutá-la.
Ela se virou e não disse nada. Eu bati minhas asas para a frente do meu corpo e encarnei. Ela cobriu o rosto por conta da luz e se encolheu na proteção da porta.

— Não tema — falei.

No momento em que falei, ela olhou para o céu. Novamente eu estava maravilhado.
Eu exaltei meu Pai pela sua sabedoria. O coração dela é tão perfeito, tão pronto.

—Saudações. Deus esteja com você.

Seus olhos cresceram e ela se virou como se fosse correr.

— Maria, você não tem nada a temer. Você encontrou o favoritismo de Deus. Você ficará grávida e dará à luz um filho e o chamará de Filho das Alturas. O Senhor Deus irá dar para ele o trono de seu pai Davi; ele irá controlar a casa de Jacó para sempre — infinitamente, para sempre em seu reino.

Apesar de estar ouvindo o que eu dizia, ela estava confusa.

— Mas como? Eu nunca dormi com nenhum homem.

Antes de falar olhei para os céus. O Pai estava de pé, dando-me sua benção.
Eu continuei:

— O Espírito Santo virá até você, o poder dos Altos paira sobre você; no entanto, a criança que você dará à luz será chamada de Santo, Filho de Deus. Perceba, nada é impossível com Deus.

Maria olhou para mim e então para o céu. Por um longo momento ela encarou fixamente o azul; por tanto tempo que eu também olhei. Ela viu anjos? Os céus se abriram? Eu não sei. Mas eu sei que quando olhei de volta para ela, ela estava sorrindo.

— Sim, vejo tudo agora; eu sou a serva do Senhor, pronta para servi-lo. Deixe que aconteça comigo como você diz.

Enquanto ela falava, uma luz apareceu em seu útero, eu olhei de relance para o frasco. Estava vazio. (...)"

                            (Max Lucado)

CONTINUA...

terça-feira, dezembro 27, 2011

A História de um Anjo - Parte 9

"(...) A oração de Sophio se tornou um feixe de luz que foi ao céu. Com meus olhos eu o segui. No seu fim eu podia ver meu Pai de pé. Um rápido vislumbre de Sua glória e minha confusão se dissipou. Ajeitei-me e reposicionei meu escudo. Lúcifer, pela primeira vez, viu Sophio orando. O sorriso dele se dissipou, então ele o forçou de volta.
Ele começou a falar mais rápido, mas o tom natural de sua voz estava voltando.

— O Pai nos espera, Gabriel. Vamos esmagar o frasco em comemoração à vitória do Pai. Vamos retornar em alegria. Sua missão está completa. Você será premiado com um trono como o meu. Você será como Deus.

Se Satã teve alguma chance, ele acabara de perdê-la.

— Mentiroso! — desafiei. — Eu já ouvi essas palavras antes. Eu já ouvi essa promessa. É uma mentira, e você é o pai das mentiras. Você fede, você é desprezível. Vá para o inferno!

Apesar de saber que minha espada não iria parar Lúcifer, eu a desembainhei.

— Senhor Todo-poderoso, salve-nos!

Eu orei. Ele o fez. Minha espada projetou uma luz maior do que nunca — uma luz tão forte que fez Lúcifer cobrir os olhos e soltar um dilúvio de maldições.
Virei-me para meus anjos; eles estavam novamente atentos e posicionados, o encanto quebrado e a coragem deles restaurada. Eles ergueram suas espadas, desafiadores. A luz crescente iluminou o demônio, revelando o que eu havia visto na sala do trono, só que agora seu capuz estava caído para trás. O rosto esquelético violava o céu.
Levei minha luz ao coração do demônio. Enquanto eu o fazia, Aegus fez o mesmo do outro lado. Satã gritou, convulsionando em dor enquanto nossas luzes se fundiam em um calor purgantes. De dentro dele fugiam os ogros de um milhão de misérias: solidão, raiva, medo.
Em uma derradeira e desesperada tentativa, Lúcifer veio para cima de mim e deu um bote no frasco celeste. Ele nunca teve chance. A espada de Paragon varreu o céu, arrancando a mão de Satã de seu braço, fazendo-a rodopiar pela noite. Uma onda de mau cheiro nos forçou a erguer nossos escudos diante de nossos rostos. Satã jogou sua cabeça para trás, sua figura se contorcia de dor. A voz que momentos atrás encantava agora sibilava.

— Eu voltarei! — jurou Lúcifer. — Eu voltarei!

Sophio meneou sua cabeça em aversão.

DISFARÇADO COMO UM ANJO DE LUZ... — ele disse tenramente.

Tão rapidamente quanto apareceu, Satã se foi. E nós estouramos em louvor.

— Louvado, louvado, louvado é o Senhor Todo-poderoso!
— Rei dos reis e Senhor do senhores!

Enquanto o Pai recebia nossos louvores, ele sussurrou para mim. Eu o escutei como se estivesse do meu lado.

— Vá, Gabriel; vá e diga a Maria. (...)"

                               (Max Lucado)

CONTINUA...
Obs.: Leiam as partes anteriores para entender.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

A História de um Anjo - Parte 8

"(...) — Vejo que viajaram em segurança.

Era a voz que eu temia. Instantaneamente ele estava diante de nós. Não tínhamos outra opção a não ser parar.

— Você está vestindo seu antigo uniforme, Lúcifer. — acusei.

Os verdadeiros anjos estavam arrebatados pela sua aparência. E eu também. Era este o mesmo demônio que havia me causado repulsa na sala do trono?
Seu sussurro agora era um vibrante barítono. A figura esquelética agora era robusta e majestosa. Ao lado de sua luz, nossa brancura era cinzenta e suja. Perto de sua voz, nossas vozes não eram nada além de um sussurro. Levantamos nossas espadas, mas elas oscilavam sem força como velas contra o sol.

Meus batalhões olharam para o demônio com perplexidade. Antes de sermos enviados, Miguel havia tentado avisá-los, mas nenhuma palavra prepara você pra Lúcifer. Sem falar uma palavra, ele encanta. Sem levantar uma arma, ele desarma. Sem um toque, ele seduz. Anjos foram conhecidos por segui-lo sem oferecer resistência.
Mas eu tinha as palavras do Pai em meu coração. "Ele foi um mentiroso desde o início."
O demônio olhava para mim com um doce sorriso.

— Gabriel, Gabriel. Quantas vezes eu já falei seu nome? Meus servos podem lhe dizer. Segui você por todos esses anos. Você é um anjo bem leal. E agora sua lealdade está sendo recompensada. A missão das missões.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou; não uma gargalhada demoníaca, mas uma gargalhada divina. Como ele imita bem o Rei!

— Não é uma imitação — ele disse como se pudesse ler minha mente. — É genuíno. Alegro-me que você tenha passado no nosso teste.

Meu rosto traiu minha perplexidade.

— Ele não lhe informou, meu amigo? Como seu Pai do céu é sábio. Como Ele foi gracioso em me conceder esse privilégio de lhe dizer. Este foi um teste de sua lealdade. Sua missão inteira foi um teste. O Dia dos Pesares. A Rebelião celestial. A queda dos anjos. Minha visita à sala do trono. A rede. Phlumar. Tudo isso foi para lhe testar, para treinar você. E agora, ó Gabriel, o Rei e eu o parabenizamos. Você se provou leal.

Eu achava que sabia cada esquema de Lúcifer. Cada crime, cada mentira. Achei que tivesse antecipado cada movimento. Eu estava errado. Este eu nunca imaginaria... Ah, como ele é dissimulado. Ele soava tão sincero.


VOCÊ HONESTAMENTE ACHA QUE EU ME REBELARIA CONTRA DEUS? — ele confessou. — O PAI DA VERDADE? POR QUÊ? EU O AMO.

Sua grandiosa voz engasgou de emoção.

— Ele me criou. Ele me deu liberdade de escolha. E todo esse tempo eu o venerei de longe para que você fosse testado. E agora, meu amigo, você passou no teste do Pai. Por que mais ele teria permitido que você testemunhasse minha visita ao céu? Foi tudo um evento encenado: a grande obra de Deus para testar a sua dedicação.

As palavras dele doíam em meu peito. Minha espada caiu para um lado e meu escudo para o outro. Meus pensamentos rodavam. O que é isto que sinto? Que poder é este? Eu sei que ele é mau, ainda sim eu me vejo fraquejar. Eu a um só tempo que amá-lo e matá-lo, confiar nele e o negar. Virei-me para olhar para Aegus e Paragon. Eles também haviam largado suas armas, seus rostos amoleciam enquanto eles começavam a acreditar nas palavras que o impostor falava. Atrás deles, nossos exércitos estavam relaxando. Uma a uma as espadas iam sendo ofuscadas. Incrível. Com apenas algumas palavras Lúcifer podia subordinar legiões. Isto é realmente verdade? Ele parece e soa tão verdadeiro quanto o Pai... Todos nós estávamos começando a cair em seu controle.
Todo, exceto um. Ao longe avistei Sophio. Seus olhos não estavam em Lúcifer. Ele olhava para o céu. Eu podia ouvir a sua declaração, aumentando de volume a cada frase:

NEM A MORTE, NEM A VIDA; NEM ANJOS, NEM DEMÔNIOS, NEM O PRESENTE, NEM O PASSADO; NEM QUAISQUER PODERES, NEM O ALTO, NEM AS PROFUNDEZAS, NEM QUALQUER OUTRA COISA EM TODA A CRIAÇÃO SERÁ CAPAZ DE NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS! (...)"

                                               (Max Lucado)


CONTINUA...

terça-feira, dezembro 20, 2011

A História de um Anjo - Parte 7

"(...) O medo passou pelo rosto de Phlumar. Sophio, percebendo minha estratégia anunciou a verdade:

– VOCÊ DEVE LOUVAR AO SENHOR NOSSO DEUS!
– Mas, mas, mas eu não me lembro de nenhuma das palavras.

Percebendo a real intenção de Phlumar, meus soldados começaram a rodeá-lo. Eu então me movi para mais perto e disse com firmeza:

– Certamente você está disposto a louvar nosso Mestre. Certamente você não esqueceu as canções de louvor. Abra a sua boca e confesse o nome do Senhor!
Phlumar olhava para a esquerda e para a direita, mas não encontrou saída.

– Junte-se a nós – desafiei. – Se o seu coração está realmente mudado, louve conosco.

Puxei minha espada.

– Se não, se prepare para lutar conosco
Phlumar sabia que havia sido desmascarado. Sua boca não iria – não podia – louvar o Senhor Todo-poderoso. Seu coração pertencia a Satã. Ele golpeou com seu pescoço para a próxima galáxia. Se tivéssemos apenas a nossa força, ele teria obtido sucesso. mas nós estávamos tão fortalecidos pelo alto, estávamos tão vestidos pela força de Deus, que derrotamos o demônio em um segundo.
Antes que tivéssemos a chance de atacar, sua pele encouraçada foi invadida por espadas de luz. Sua pele derretia como cera. O pouco da carne que continuava presa aos seus ossos ficou instantaneamente purulenta e infeccionada. Uma espuma caía de sua mandíbula. Ele abriu a boca e deu um uivo totalmente solitário.
– Mate-me –ele implorava com a voz agora rouca. Ele sabia que qualquer forma de morte que déssemos a ele seria graciosa em comparação à punição que o aguardava das mãos de Lúcifer.
– Os anjos mantêm um acordo para o julgamento – lembrei-o. – Apenas o Pai pode matar o eterno.
Com um giro de nossas espadas mandamos o demônio da morte para o abismo. Por um instante fiquei pesaroso por aquela criatura. Mas a mágoa foi breve quando lembrei o quão rapidamente ele seguiu o príncipe e as suas falsas promessas.
Eu ergui minha voz em louvor pela nossa vitória e pela minha salvação. Eu não podia deixar de pensar na profecia que o Pai havia me dito:

– Quanto mais esforços fizermos para trazer a semente, mais Satã irá procurar destruí-la.

Erguendo nossas mãos aos céus, nós proclamamos seu nome sobre todos os nomes e retomamos nossa jornada. Logo, chegamos ao sistema solar da Terra. Levantei a cabeça como sinal para que o exército reduzisse a velocidade. A atmosfera terrestre nos rodeava e eu procurei pelo pequeno pedaço de terra habitada pelo povo prometido.
Como este globo é precioso para ele! Pensei. Outras esferas são maiores. Outras, mais nobres. Mas nenhuma servia para Adão e seus filhos. E agora a hora da entrega havia chegado. Abaixo de mim estava a pequena cidade onde A Escolhida por Deus dormia. (...)"

                   (Max Lucado) 

CONTINUA...

segunda-feira, dezembro 19, 2011

A História de um Anjo - Parte 6

"(...) Antes da Rebelião ele era o solista em nossas canções e o mais nobre dos guerreiros. Ele, por muitas vezes, voava à nossa frente, suspenso em um bater de asas gracioso. Muitas das canções que hoje canto, eu ouvi pela primeira vez pelos lábios de Phlumar. "Agora olhe para ele", pensei.
O que aconteceu aos olhos prateados e ao manto branco? O que conteve sua alegria? Quando me aproximei, o odor repugnante do mal me estremeceu. Preparei minha espada esperando um ataque. O que eu não esperava era uma pergunta.


– Meu amigo, há quanto tempo não nos vemos? – A voz era tão calorosa quanto um arquidemônio pode simular.
– Não o suficiente, filho do inferno – gritei para ele enquanto passava. Eu não confiei o suficiente para parar. Eu não confiei em minhas emoções ou na minha força. Continuei voando em frente, mas imediatamente ele estava ao meu lado.
– Gabriel, você tem que me escutar.
– Seu príncipe é um mentiroso, é o pai de todas as mentiras.
– Mas meu príncipe mudou – Phlumar argumentou.


Eu não diminuí o ritmo. Pelo canto do olho vi Aegos e Paragon voando com os olhos bem abertos e com as mãos em suas espadas, esperando um comando meu. Orei para que não vissem a preocupação em meus olhos. Se Phlumar reunisse um décimo de sua força, ele destruiria todo o batalhão antes mesmo que eu pudesse responder. Ele havia sido o mais brilhante em nossa classe.
Phlumar continuou:

– Um milagre aconteceu desde que você saiu em sua missão. Meu mestre testemunhou vocês derrotarem nossas forças. Ele está perturbado pela sua força e pela fraqueza dele. Ele está igualmente perplexo pela oferta de perdão que ele ouviu na sala do trono. Ele diz que você estava lá, Gabriel. Você viu isso?


Apesar de não ter respondido, a imagem da mão estendida de Deus veio à minha mente. Eu pensei na cabeça inclinada e lembrei-me das minhas primeiras impressões. Poderia ser verdade que o coração de Satã tivesse realmente amolecido?
A emoção acompanhou o argumento de Phlumar.

– Venha, Gabriel. Fale com o príncipe Lúcifer. Argumente com ele em favor do Pai. Fale sobre o amor de seu Mestre. Ele irá ouvi-lo. Vamos juntos para incitá-lo a se arrepender.

Phlumar acelerou, ficou diante de mim e parou, me forçando a fazer o mesmo. Perto de mim ele era imenso. Eu pensei que estava preparado para qualquer coisa, mas isso eu jamais esperara. Eu orava por direção.


– Juntos, Gabriel, eu e você juntos novamente – o dragão continuou. – Pode acontecer. Nós podemos nos unir. O coração de Satã está maduro, o meu já está mudado.

De repente a resposta veio. Novamente, eu sabia o que fazer. Silenciosamente agradeci a Deus pela sua orientação.


– Seu coração mudou, não é, Phlumar?

Com sua enorme cabeça ele fez que sim. Eu me virei para Paragon e para Aegus. O medo em suas faces estava cedendo lugar à curiosidade.

– Você deseja se juntar à nossa ordem, não deseja?
– Sim, Gabriel. Eu quero. A Rebelião foi um erro. Venha comigo. Nós iremos persuadir Lúcifer. Eu desejo voltar aos céus. Eu desejo conhecer meu esplendor passado. 


A esta altura meu plano estava claro.



– Que novidade excelente, Phlumar!


Eu senti a surpresa no rosto de meus anjos.



– Nosso Deus é um bom Deus – anunciei. – Não tem raiva e é misericordioso. Com certeza ele ouviu sua confissão. –Eu pausei e me elevei para mais perto de seu rosto, olhando nos seus olhos. – Vamos então elevar nossas vozes juntas em louvor. (...)"


                       (Max Lucado)





CONTINUA...

sábado, dezembro 17, 2011

A História de um Anjo - Parte 5

"(...) ASAS BATENDO CONTRA ASAS. ANJOS BATENDO CONTRA OUTROS ANJOS.

Antes que pudéssemos desembainhar nossas espadas, nossos agressores amarraram a rede de forma tão apertada que não conseguíamos nos mexer. De dentro da desordem podíamos ouvi-los zombando de nós.


Vocês são o melhor do céu? Ráráá!
Para o inferno com vocês!
Agora vocês vão encarar o verdadeiro mestre! – ele insultava.

Mas a comemoração deles foi prematura. O Rei havia me preparado para esta rede do mal. Eu sabia exatamente o que fazer.

LOUVADO, LOUVADO, LOUVADO É O DEUS TODO-PODEROSO! – gritei.
LOUVADO, LOUVADO, LOUVADO É O DEU TODO-PODEROSO! – exaltei meu Mestre por várias vezes. Meus anjos me ouviram e se juntaram à minha adoração.

Enfraquecidos pelas palavras da verdade, os cérberos soltaram as cordas, nos permitindo escapar.
Livres, nós brandimos nossas espadas de luz, cada uma se conectando com a próxima, formando uma bola única de luminosidade. Cegos, os demônios colidiam uns com os outros e então lutavam para escapar. Despachei um pelotão para persegui-los.

Certifiquem-se de que eles não voltem! – intruí.

Estudei nossos flancos – primeiro um lado, depois o outro. Nenhuma perda. O ataque havia apenas aumentado nossa determinação. Comecei a cantar e reassumimos nossa jornada, banhados na luz de nossas espadas e na música de nosso louvor.
Passamos pelo planeta dourado, Escholada, o que representa nossa entrada na galáxia escolhida. Todos nós conhecemos bem essas estrelas, nós as frequentamos em nossas missões. Apesar de nossas doces lembranças dessas constelações, não paramos. Nossa missão era vital demais.

Gabriel – era Paragon chamando me nome , olhe, ali adiante.

Eu nunca havia visto tal demônio. Sua cabeça em forma de chacal ficava sobre um pescoço longo e escamoso, emendado em um corpo de dragão. Suas asas se abriam em uma envergadura tão ampla que poderiam engolir uma dúzia de meus guerreiros. Ele, com mais de mil metros de altura, parecia forte o suficiente para esmagar um anjo.

Quem é ele? – perguntei para Paragin e Aegos. Mas foi Sophio que respondeu.
É Phlumar.
Phlumar? Não pode ser! (...)"     
   
                                                                        (Max Lucado) 

CONTINUA... 
 Leiam as partes anteriores para entenderem :) 

quinta-feira, dezembro 15, 2011

A História de um Anjo - Parte 4

"(...) Como foi emocionante o nosso envio! Miguel, o arcanjo, leu-nos as palavras do Livro da Coragem. As tropas cantaram para o Pai, rogando que seu espírito acompanhasse nosso batalhão. O Pai levantou-se de seu trono em uma enchente de luz em cascata e nos deu palavras de força.
Aos anjos, ele frisou:

– Sejam forte, meus ministros.

A mim, ele lembrou:

– Gabriel, Satã deseja destruir a semente tanto quanto você deseja entregá-la. Porém, não tema: eu estarei com você.
– Seja feita a vossa vontade – disse com determinação, e tomei meu lugar como líder das tropas. Era hora de partir. Comecei a canção de louvor para sinalizar nossa partida. Um por um os anjos se juntaram a mim em adoração. Por uma última vez encarei a luz. Viramo-nos e mergulhamos aos céus.
Nas ondas da luz dele, voamos. Na crista de nossas músicas, nós nos elevamos. Paragon estava à minha direita; Aegus, à minha esquerda – ambos escolhidos a dedo por nosso Pai para guardar o frasco. Sempre hábeis. Sempre vivos. Sempre obedientes.
Nosso número era tão imenso que eu não podia ver onde acabávamos. Nossa força não conhecia limites. Voamos como uma corrente de estrelas pelo universo: eu guiando, milhares de anjos me seguindo. De relance, deliciei-me ao ver um mar de asas prateadas batendo em ritmo silencioso.
Deles vinha uma onda constante de louvor espontâneo.

– Toda a glória a Deus!
– Apenas Ele é digno!
– Louvado é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores!
– A batalha a Deus pertence!

Eu havia escolhido apenas os anjos mais habilidosos para a minha companhia, pois apenas os mais habilidosos poderiam enfrentar o inimigo. Todos os anjos estavam dispostos, mas apenas os guerreiros mais hábeis foram selecionados.
Passamos pela galáxia de Ebon rumo à constelação de Emmanees. Pelo canto dos olhos dei uma olhada em Exalon, um planeta que era anelado uma vez para cada filho que se tornava temente ao Pai. Seguimos pela constelação de Clarion e pelo círculo estelar de Darius.
Ao redor do meu pescoço balançava o frasco incandescente, seu mistério ainda além da minha compreensão.
Ouvi a voz de Sophio atrás de mim. O Pai havia lhe dado o dom da sabedoria, e eu o havia levado a muitas jornadas. Sua tarefa é sempre a mesma.


– Sussurre a verdade para mim enquanto voamos – eu havia dito e ele assim o fazia. – Lúcifer é o pai das mentiras. Não há verdade... nele. Ele vem para roubar, matar e destruir.

Minha velocidade aumentava juntamente com a minha coragem. Nós sabíamos que não falharíamos. Mas não fazíamos ideia de que a batalha viria rapidamente. Cruzávamos o Cume do Tempo há apenas alguns momentos quando Paragon gritou:

– Preparem-se!

De repente eu estava emaranhado em uma rede invisível. Filas e mais filas de anjos caíam sobre mim. Até o último flanco estava se movendo rápido demais para evitar a armadilha. Em poucos instantes, éramos uma bola de confusão. (...)"

                (Max Lucado)


CONTINUA...
Obs.: Quem tá chegando agora, dá uma lida nas 3 partes anteriores à essa para entenderem a história ;)

sexta-feira, dezembro 09, 2011

A História de um Anjo - Parte 3

"(...) Satã levantou-se vagarosamente. Como um lobo cauteloso, percorreu um amplo círculo em direção à mesa até ficar em frente ao volume e leu a palavra:

– Emanuel? – ele murmurou para si mesmo; e então falou em tom de descrença: – Deus conosco? – Pela primeira vez a cabeça encapuzada se virou diretamente para encarar o rosto do Senhor. – Não. Nem mesmo você faria isto. Nem mesmo você iria tão longe.
– Você nunca acreditou em mim, Satã.
– Mas Emanuel? O plano é bizarro! Você não sabe como são as coisas na Terra! Você não sabe quão sombria eu a fiz. É pútrida. É diabólica. É...

É MINHA – proclamou o Rei. – E EU IREI REIVINDICAR O QUE É MEU. EU IREI ME TORNAR CARNE. IREI SENTIR O QUE MEUS FILHOS SENTEM. IREI VER O QUE ELES VÊEM.

– E seus pecados?
– Irei levar misericórdia.
– E suas mortes?
– Irei dar a vida.

Satã ficou em pé, sem palavras.
Deus disse:

– Eu amo meus filhos. O amor não tira dos amados a liberdade. O amor remove qualquer medo. E Emanuel irá deixar para trás uma horda de filhos destemidos. Eles não temerão você nem o seu inferno.


Satã deu um passo para trás ao ouvi-lo. Sua resposta foi infantil.


– E-e-e-eles irão sim!
– Eu irei tirar deles todo o pecado. Eu irei tirar a morte. Sem pecado e sem morte, você não tem poder.

Satã andava em círculos, cerrando e abrindo seus dedos magros. Quando finalmente parou, fez uma pergunta (que até a mim intrigava):

– Por quê? Por que você faria isto?

Os dois se encaravam. Ninguém falou. Os extremos do universo estavam diante de mim: Deus vestido de luz; cada fibra brilhava. Satã coberto com um dossel de maldade; até o tecido de seu manto parecia rastejar. A paz em contraste com o pânico. A sabedoria confrontando a ignorância. Um capaz de resgatar; o outro, ansioso por condenar.
Eu tenho refletido muito sobre o que aconteceu em seguida. Apesar de ter relembrado o momento milhares de vezes, fico tão atordoado quanto fiquei naquele instante. Nunca em meus pensamentos mais irrestritos eu imaginei que o Rei faria o que fez. Se ele tivesse ordenado a saída de Satã, quem o teria questionado? Se ele tivesse tirado a vida de Satã, quem teria chorado? Se ele tivesse me chamado ao ataque, eu estaria disposto. Mas Deus não fez nada disso.
Do cículo de luz veio a sua mão estendida. De seu trono veio um convite honesto:

– Você se entregaria? Voltaria para mim?

Não sei o que Satã pensou. Mas acredito que por um milésimo de segundo o coração maldoso tenha amolecido. A cabeça se levantou levemente como se estivesse pasmo diante da oferta feita. Mas então se levantou bruscamente.

– Onde lutaremos? – ele desafiou.

O Pai suspirou diante da resistência do anjo negro.

– Em um monte chamado Calvário.
– Se você for tão longe – disse Satã, sorrindo de forma maliciosa, rodopiando e marchando em direção à entrada. Eu pude ver quando as suas asas cobertas de espirnhos se abriram e ele voou para os céus.


O Pai se manteve imóvel por um momento, então se virou novamente para o livro. Abrindo-o no capítulo final, vagarosamente leu as palavras que eu nunca havia lido. Não havia frases. Apenas palavras. Deus pronunciou cada uma delas, fazendo pausas:




JESUS,
CRAVOS,
CRUZ,
SANGUE,
TUMBA,
VIDA.


Ele se moveu em minha direção e eu respondi me ajoelhando em frente a ele novamente. Entregando-me o colar, ele explicou:


–Este frasco irá conter a minha essência; uma semente a ser colocada no útero de uma jovem garota. Seu nome é Maria. Ela vive entra as pessoas que escolhi. O fruto da semente é o Filho de Deus. Leve a ela.
– Mas como eu poderei reconhecê-la? – perguntei.
– Não se preocupe. Você poderá.

Eu não conseguia compreender o plano de Deus, mas minha compreensão não era essencial. Minha obediência o era. Eu abaixei a minha cabeça, e ele colocou a corrente no meu pescoço. Surpreendentemente, o frasco não estava mais vazio. Ele brilhava com luz.

– Jesus. Diga-lhe para chamar o meu filho de Jesus. (...)"

                            (Max Lucado)

CONTINUA...

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A História de um Anjo - Parte 2

"(...) Eu procurei por pelo menos uma alusão ao seu esplendor passado, mas não vi nenhuma.

Suas novidades devem ser urgentes – Disparou Satã a Deus, ainda incapaz de suportar a luz.

A resposta de meu Pai foi um pronunciamento.

Chegou a hora do segundo presente.

A carcaça por trás do manto balançou enquanto Lúcifer gargalhava.
O segundo presente, é? Espero que ele seja mais eficiente que o primeiro.
– Você está desapontado com o primeiro? – perguntou o Pai.
Oh, não! Muito pelo contrário: estou me deliciando com ele. – Levantando um dedo ossudo, ele escreveu um nome no ar:
                                              E-S-C-O-L-H-A
 – Você deu a escolha a Adão – zombou Satã. – E que escolha ele fez! Ele me escolheu. Desde que a fruta foi arrancada da árvore no Éden eu tenho mantido seus filhos cativos. Eles caíram. Rápida e duramente. Eles são meus. Você falhou. Há há. 
Você fala com confiança – respondeu o Pai, surpreendendo-me com sua paciência.

Lúcifer deu um passo para frente, seu manto se arrastando atrás dele.
Claro! Eu faço exatamente o oposto de tudo o que você faz! Você amolece corações, eu os endureço. Você ensina a verdade, eu a escureço. Você oferece alegria, eu a roubo.


Ele rodopiou e desfilou por toda a sala, se gabando de suas proezas. 

A traição de José pelo seus irmãos – eu fiz aquilo. Moisés indo para o deserto depois de matar os egípcios – era eu ali. Davi assistindo ao banho de Bate-Seba – aquilo era eu. Você tem que admitir, meu trabalho tem sido artesanal.
– Artesanal? Talvez. Mas efetivo? Não. Eu sei o que você vai fazer antes mesmo que o faça. Eu usei a traição de José para resgatar meu povo da fome. A expulsão de Moisés se tornou o treinamento dele no deserto. E sim, Davi realmente cometeu o adultério com Bate-Seba – mas ele se arrependeu de seu pecado! E milhares se inspiraram em seu exemplo e encontraram o mesmo que ele: a graça infinita. Suas ilusões apenas serviram como plataformas para a minha misericórdia. Você ainda é meu servo, Satã. Quando aprenderá? Suas fracas tentativas de atrapalhar o meu trabalho apenas viabilizam meu trabalho.

 CADA ATO QUE VOCÊ TEM PLANEJADO PARA O MAL EU TENHO USADO PARA O BEM.

Satã começou a rosnar – um rosnado gutural, raivoso. Suave, a princípio, então mais alto, até que a sala estivesse completamente tomada por um urro que deve ter estremecido até as bases do inferno.
Mas o Rei não estava incomodado.

Sente-se doente?

Lúcifer olhou ao redor da sala, respirando alto, procurando palavras para falar e por uma sombra onde pudesse dizê-las. Finalmente achou as palavras, mas nunca as sombras.
Mostre-me, ó Senhor da luz, mostre-me uma pessoa na Terra que sempre faz a coisa certa e obedece a seus desejos.
– Você ousa perguntar? Você sabe que é necessário que haja apenas um perfeito, apenas um puro para morrer por todos os outros.
– Eu conheço os seus planos – e você falhou! Nenhum Messias irá vir de seu povo. Não existe uma pessoa que seja pura, livre de pecados. Nenhuma. – Ele virou suas costas para a mesa e começou a dizer o nome dos filhos: – Nenhum Moisés. Nem Abraão. Nenhum Ló. Nenhuma Rebeca. Nem Elias...
O Pai se levantou de seu trono, soltando uma onda de luz sagrada tão intensa que Lúcifer cambaleou para trás e caiu.
ESTES DE QUEM VOCÊ ESTÁ ZOMBANDO SÃO OS MEUS FILHOS.
– A voz de Deus estrondeou. – Você acha que sabe muito, anjo caído, mas sabe muito pouco. Sua mente duela no vale de si mesmo. Seus olhos não vêem nada além de suas necessidades.

O Rei caminhou até alcançar o livro. Ele se virou na direção de Lúcifer e ordenou:

Venha, impostor, leia o nome daquele que irá desmascarar-te. Leia o nome daquele irá tumultuar teus portões. (...)"
                                        (Max Lucado)


CONTINUA...

quarta-feira, dezembro 07, 2011

A História de um Anjo - Parte 1

"Gabriel.
O som da voz do meu Rei foi suficiente para impulsionar meu coração. Larguei meu posto na entrada e me dirigi à sala do trono. À minha esquerda estava a mesa onde ficava o Livro da Vida. À minha frente estava o trono de Deus Todo-poderoso. Entrei no círculo da luz incessante, cruzei minhas asas na minha frente para cobrir meu rosto e me ajoelhei diante dEle.

– Sim, meu Senhor?
– Você tem servido bem ao Reino. Você é um nobre mensageiro. Nunca vacilou em serviço. Nunca lhe faltou prudência.

Curvei minha cabeça, me aquecendo naquelas palavras.

– Tudo o que o Senhor pedir, eu farei por mil vezes, meu Rei – prometi.
–Disto não tenho dúvidas, caro mensageiro – Sua voz simulou uma solenidade que eu nunca havia ouvido usar. – Mas seu maior trabalho espera diante de você. Sua próxima designação é levar um presente à Terra. Observe.

Levantei meus olhos para ver um colar – um frasco transparente em uma corrente de ouro – oscilando em sua mão estendida.
Meu Pai falou com determinação:

– Apesar de vazio, este frasco em breve irá conter meu maior presente. Coloque-o em seu pescoço.

Estava prestes a pegá-lo quando uma voz irritante me interrompeu.

– E que tesouro você irá enviar à Terra desta vez?

Minhas costas se tensionaram àquele tom insolente, e meu estômago embrulhou diante do odor súbito. Tal odor pútrido só poderia vir de um único ser.

Empunhei minha espada e me virei para lutar com Lúcifer.

A mão do Pai em meu ombro me parou.

– Não se preocupe, Gabriel. Ele não fará mal algum.

Dei um passo para trás e encarei o inimigo de Deus. Ele estava completamente coberto. Uma batina negra pendia sobre sua carcaça esquelética, escondendo seu corpo e seus braços encapuzando seu rosto. Os pés, protuberantes abaixo do manto, tinha três dedos e garras. A pele de suas mãos se assemelhava à de uma cobra. Garras de estendiam de seus dedos. Ele puxou o capuz de forma a esconder mais o seu rosto, tentando assim proteger-se da luz, mas a claridade ainda o feria. Em busca de alívio, ele se virou para mim e eu captei o vislumbre de uma face cadavérica escondida no capelo.

– O que você está olhando, Gabriel? – ele zombou. – Está feliz por me ver?

Eu não tinha palavras para aquele anjo caído. O que eu via e tudo do que me lembrava me deixava sem palavras. Eu me lembrava dele antes da Rebelião: pairando orgulhosamente na liderança de nossa força, asas largas, apontando para frente uma espada radiante, ele havia nos inspirado a fazer o mesmo. Quem poderia se opor a ele? A visão de seu cabelo aveludado negro como o carvão ultrapassava de longe a beleza de qualquer ser celestial.
Exceto, é claro, à beleza do nosso Criador. Ninguém comparou Lúcifer a Deus... Exceto Lúcifer. Só Deus sabe como foi que aquele anjo caído chegou a pensar que era digno da mesma adoração devotada a Deus. Tudo o que eu sabia é que eu não via Satã desde a Rebelião. E o que via agora me causava repulsa."

                   (Max Lucado)

Continua...

terça-feira, dezembro 06, 2011

A História de um Anjo

Oi gente, que saudaaaaaades de escrever! Rs :)
Ultimamente tenho tido pouco tempo pra escrever, pra aparecer por aqui, enfim..
Já estamos em dezembro, e o Natal tá chegando. Por isso, eu quero compartilhar com vocês o meu livro preferido: A História de um Anjo. Durante esse mês vou postar esse livro aqui. É um livro do Max Lucado, em que ele compartilha conosco um pouco do que aconteceu, e um pouco do que ele imagina que pode ter acontecido antes do nascimento de Jesus. Espero que gostem...




Primeiras Palavras

"Seres espirituais povoam as histórias bíblicas. Anjos cantam, demônios contaminam, hospedeiros celestes lutam, duendes de Satã invadem. Ao ignorar os exércitos de Deus e de Satã, você ignora o coração da Bíblia. Desde quando Eva foi tentada pela serpente no Éden, sabemos que há mais neste mundo do que os olhos podem ver. 
Sabemos menos do que desejamos sobre esses seres. Qual a sua aparência, o seu número, as suas estratégias e os seus planos? Nós podemos apenas imaginar. 
Neste livro, eu fiz apenas isto. Impulsionado pela mensagem de David Lambert, eu tentei imaginar o conflito espiritual em torno da chegada de Cristo. Certamente havia mais. Se Satã pudesse receber Cristo em seu nascimento, não teria havido Cristo na Cruz. E você não acha que ele tentou?
Eu também. O conflito era, sem dúvida, muito maior e mais dramático do que qualquer coisa que possamos imaginar. Mas de uma coisa nós podemos ter certeza: sabemos quem venceu. Porque sabemos que ele veio. 
Eu oro para que esta nova publicação de A história de um anjo impulsione você a se lembrar do grande poder e do grande amor de Deus. (...)"
                             (Max Lucado)

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